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O lado feio dos cosméticos




Do momento de acordar até a hora de dormir somos expostos a diversos produtos de beleza e higiene. São eles os responsáveis por proteger a pele do sol, embelezar o rosto, limpar os cabelos, hidratar o corpo, colorir as unhas e por aí vai...

Uma recente pesquisa feita na Inglaterra com mais de 2 mil mulheres mostrou que as ingleses se expõem a uma média de 515 substâncias químicas diferentes nos cosméticos e maquiagens que usam diariamente.

Mesmo usando esses produtos constantemente, pouca gente sabe do que eles são feitos e como algumas substâncias ali presentes, se absorvidas em quantidade, podem colocar a saúde em risco.

De acordo com Vânia Leite, diretora da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), quando o produto é colocado à venda, significa que foi considerado seguro pela empresa que o fabrica e também pelos órgãos reguladores – no caso do Brasil, isso cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Hoje, no entanto, os cosméticos estão tão elaborados e precisos, que quase sempre é preciso fazer uso de vários deles durante o dia. Por conta disso, é muito importante ler a fórmula e respeitar as indicações de uso para diminuir as chances de reações adversas aos ingredientes. Se tiver dúvidas sobre como isso pode afetar a saúde, procure um médico ou farmacêutico e peça orientações.

De olho no rótulo

O cosmetologista Maurício Pupo – o especialista coordena uma pós-graduação em cosmetologia em parceria com a Unicastelo, de Campinas (SP) – preparou uma lista de compostos bastante usados em cosméticos que estão relacionados a alguns problemas de saúde em determinadas pessoas. Apesar de muitas dessas substâncias estarem presentes em quantidades limitadas nas fórmulas, é bom estar atento para não consumi-las em excesso, já que não usamos apenas um produto por dia.

Aminas primárias
Encontradas nas tinturas de cabelo (detalhe: em grandes quantidades), essas substâncias tóxicas têm potencial cancerígeno – é justamente por causa disso que uma das primeiras recomendações às mulheres grávidas é que não tinjam os fios durante a gestação. A saída para evitar a constante exposição às aminas é optar por henas naturais.

Ftalato
O composto marca presença em cosméticos que apresentam poder de fixação, como esmaltes e laquês de cabelo. O grande problema é que, se usado por grávidas, pode causar uma condição chamada hipospádia – má formação nos genitais dos meninos.

Alumínio
Apesar de o assunto ser controverso, estudos científicos já mostraram o potencial cancerígeno do uso de antitranspirantes baseados em sais de alumínio. O ideal, portanto, é dar preferência aos desodorantes, que não bloqueiam a transpiração, mas inibem o mau cheiro. Agora, para quem não quiser abrir mão do antitranspirante, o melhor é optar pelo roll-on, aplicado diretamente na pele, já que o aerosol permite que o produto entre no organismo pela respiração, causando ainda mais prejuízos.

Filtros químicos
Alguns estudos científicos sugerem que os protetores solares com filtros químicos podem penetrar no corpo e cair na corrente sanguínea, afetando o funcionamento da tireóide (glândula localizada no pescoço, responsável pela produção de vários hormônios). Para se proteger do sol de forma segura, sempre escolha os protetores com a maior quantidade possível de filtros físicos, que refletem os raios ultravioletas e não são absorvidos pela pele – na fórmula da embalagem, procure por óxido de zinco e dióxido de titâneo.

Parabenos
Por serem conservantes, costumam fazer parte de uma infinidade de cosméticos. O problema é que essa substância também já foi associada ao desenvolvimento de câncer. Escape do dilema procurando produtos que tragam no rótulo a informação “sem parabeno” ou que apresentem conservantes naturais.

Formol e seus liberadores
Não faz muito tempo que os alisamentos de cabelo com formol foram proibidos, já que o composto é muito prejudicial à pele. Como muitos salões burlam as regras e continuam a usá-lo, a recomendação é, obviamente, fugir das escovas definitivas em locais pouco confiáveis. Mas engana-se quem pensa que o perigo está só no cabeleireiro. Assim como os parabenos, o formol e algumas substâncias capazes de liberá-lo podem ser usados como conservante em vários produtos de beleza, desde que a quantidade se limite a 0,2 %. Por ser um composto tóxico, que aumenta as chances de desenvolvimento de câncer, além de provocar um alto índice de dermatites (uma forma de alergia da pele), é bom ficar de olho nos rótulos e evitar utilizar muitos produtos de beleza que o contenham em sua fórmula.

Óleo mineral e derivados do petróleo
Por causa de sua propriedade hidratante, o óleo mineral, derivado do petróleo, é encontrado na maioria dos cosméticos. Contudo, ele não traz benefício nenhum à pele e ainda pode estar contaminado por uma substância cancerígena chamada dioxina. Para ficar livre dessa ameaça, procure produtos à base de óleo vegetal – há óleo de semente de uva, girassol, abacate, entre outros. Além de ser mais seguro para a saúde, faz um bem enorme ao planeta, já que não agride o ambiente (para ter ideia, apenas um litro de óleo mineral é capaz de contaminar um milhão de litros de água).

Ureia
Essa substância passou a ser muito usada em cremes depois que se descobriu seu poder de hidratação. Apesar de ser ótima para essa finalidade, a ureia é proibida para grávidas, pois penetra com muita facilidade na pele, conseguindo, inclusive, atravessar a placenta. Como se trata de uma toxina (ela é eliminada do nosso corpo por meio do xixi e do suor), não é possível prever como afetaria o feto ainda em formação. De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), nenhum cosmético pode conter mais de 10% de ureia.

Vitamina K
Para a saúde, ela é ótima (portanto, pode continuar comendo couve!). Mas, para a pele, a história é diferente, pois essa vitamina está relacionada ao desenvolvimento de alergias. Para a sorte do consumidor, a Anvisa já proibiu seu uso em cremes.
Fonte: Site IG


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